Nasci no final da década de 1980. Dentro da convivência intergeracional do nosso laboratório, sou uma das mais velhas. Compartilho com algumas colegas algo que as mais jovens não viveram: um mundo pré-internet, e a experiência da primeira internet, que é muito, muito diferente desta que temos hoje. Não tenho outro jeito de começar esse texto sem ser assim, nostálgica, porque foi desse jeito que me senti quando um pacote grande e pesado finalmente chegou nas minhas mãos, vindo dos correios com remetente do Canadá. O que tinha em minhas mãos era literalmente um congresso internacional no formato de zines. Já escrevi outras vezes aqui sobre atividades do laboratório com zines. Conheci os zines no movimento punk, quando era adolescente. Para a ética punk de ajuda mútua e faça-você-mesmo, o zines sempre foram modos de fazer comunidade, contar novidades, espalhar a palavra da autonomia. Naquela época, vivíamos num mundo de internet discada, onde a comunicação tinha outro tempo-espaço. O pacote cheio de zines me deslocou para o que persiste neste mundo das tecnologias de comunicação que me formaram. Ano passado Daniela e eu participamos o DIY Methods 2024, uma “conferência de participação remota, sem telas, cheia de zine, sobre métodos experimentais para pesquisa e intercâmbio de pesquisas”, organizada pelo The Low-Carbon Research Methods Group, coordenado por Anne Pasek da Trent University. Recebi o pacote depois de idas e vindas pelos sistemas internacionais de correios. O pacote chegou no Brasil, parou na alfândega e voltou para o Canadá, e após alguns ajustes burocráticos-mágicos (tipo escrever “documentos” na descrição do conteúdo, e colocar meu CPF depois do meu nome), o pacote finalmente chegou. Depois de quase oito meses. De fato, outro tempo-espaço de trocas de informações, e como sempre particularmente demorado quando estamos na periferia do mundo. O objetivo do congresso é, por um lado, realizar um experimento de outras mídias e temporalidades, mas também tensionar os métodos tradicionais de pesquisa. Acho que nunca havia estado em um espaço onde a experimentação metodológica fosse discutida com tanta profundidade e entusiasmos, por tantas vozes diferentes. Dentro da minha heresia marxista, acredito que não seja possível uma mudança da realidade que não passe por uma reconfiguração da materialidade. E na ciência, a realidade material é concretizada nos métodos que escolhemos para produzir nossos dados. Por isso que, para mim, pensar sobre métodos é fundamental para produzir uma ciência politicamente interessante. Zine “Publish or perish: a methodological guide on How to Be An Academic Productivity Machine”, de Lori Beckstead, Ian M. Cook e Hana McGregor, participante do congresso DIY Methods 2024. Fotografia: Clarissa Reche Ainda estou lendo os zines, e quem sabe escreva um post de mais fôlego apresentando os que achei mais interessantes, como por exemplo o “Publish or Perish”, que é um zine-jogo-ficção sobre os dramas de fundar uma revista científica. Mas por hoje gostaria de contar sobre a minha felicidade por esses encontros, e convidar você a saber mais sobre essa iniciativa, e quem sabe participar esse ano! Fique de olho na página do DIY Methods para saber as datas de inscrição. Descrição da imagem: Zines do congresso DIY Methods 2024, com destaque para o zine “Pequeno manual feminista para sobrevivência na universidade”, de Daniela Manica e Clarissa Reche
¿Y si alguna vez, en el inconcluso libro de la historia, alguien mira una luz, cualquiera, que, sin aspavientos ni consignas, señale “esta luz la parió la rabia”? La Rabia, Él Capitán, EZLN “Compartilho com vc o que escrevi hj na força do ódio. Fui muito muito desrespeitada.” Recebi a mensagem no começo da noite, junto com quatro fotografias de um pedaço de papel craft dobrado ao meio, escrito com uma caneta roxa, em uma caligrafia vigorosa e rápida. Era um zine, e só de ler o título escrito na capa eu senti um arrepio percorrendo meu corpo, porque já imaginava o que estaria por vir: “PEQUENO MANUAL FEMINISTA PARA SOBREVIVÊNCIA NA UNIVERSIDADE”. Quem me mandou esse zine rascunhado na força do ódio foi a Daniela. A Dani foi minha orientadora no doutorado, e hoje é minha amiga querida, minha parceira de conspirações, minha companheira de luta. Quando li pela primeira vez aqueles quatorze pontos que ela escreveu, fiquei muito emocionada. Sou até capaz de localizar onde essa emoção surgiu. Foram nas minhas vísceras. E acho que essas palavras bravamente cuspidas (ou vomitadas) também vieram das vísceras da Dani. O zine foi parido durante uma aula de Seminários de Tese, do PPGCS da Unicamp, conduzida por Yama Chiodi. Por uma dessas muitas coincidências do destino, justo quando a Dani me mandou esse rascunho eu estava preparando um material para participar de um congresso internacional de zines. Fiz uma proposta para que a gente produzisse esse zine. A Dani topou e eu fiz algumas colagens, seguindo meu trabalho com imagens retiradas de enciclopédias de ciência, e diagramei o pequeno manual. Relendo nossa troca de mensagens, encontrei uma em que eu dizia para a Dani que o zine, nascido de um parto explosivo, é fruto de uma raiva que estava sendo há muito tempo organizada por ela, por nós. Faz já dois anos que estamos mergulhadas em uma pesquisa sobre antropologia feminista da ciência e tecnologia no Brasil e na América Latina, junto com o podcast Mundaréu. Estamos olhando com cuidado e carinho para uma rede de relações entre pesquisadoras que, apesar de tudo, insistem em permanecer produzindo conhecimento acadêmico politicamente situado. Esse zine nasceu dessa esperança rebelde que insiste em imaginar uma vida digna. E é com muita alegria que compartilhamos esse zine com vocês. PASSO-A-PASSO PARA IMPRIMIR O ZINE 1) Baixe este arquivo e imprima em uma folha sulfite a4, frente e verso, colorido. ATENÇÃO: é muito importante imprimir exatamente do jeito que está no arquivo. Pode parecer que a orientação da frente está errada, mas é assim mesmo. 2) Com ajuda de uma tesoura ou um estilete e uma régua, refile a folha, tirando a borda branca. 3) Seguindo o vídeo abaixo, dobre e vinque (muito bem vincado, isso é bem importante para o zine ficar bonito!) em três pontos: na horizontal pela metade, na vertical pela metade, e olhando para o verso do zine, com o título na parte superior esquerda, dobrar na diagonal (a ponta esquerda superior e encontra a ponta direita inferior) 4) Depois de dobrar e vincar, abrir todo o zine e fazer a dobra final, seguindo este vídeo: Pronto, seu zine está prontinho! Esperamos que você goste desse presente, é de coração. Com esse post, nós do Labirinto encerramos o ano de 2024 organizando nossas raivas e compartilhando nossa certeza de que o amanhã será diferente. Um grande abraço e até ano que vem. Agradecimentos: à Irene, Fernanda, Kauan e Geovana pelo mutirão para cortar e dobrar os zines, onde esses vídeos foram gravados.
Na sala semi-vazia ecoava um não-dito incômodo. De nossas janelinhas, lançamos olhares digitais uns aos outros. Era um dia diferente em nosso laboratório. Resolvi quebrar o silêncio e fazer a pergunta que pairava suspensa. “O que vocês estão sentindo?” As respostas davam conta de um medo. Medo do que, afinal? A melhor explicação veio de uma comparação entre a oficina de criação de peças gráficas que estávamos prestes a realizar e um “teatro interativo”. Medo da interatividade. A proposta da oficina surgiu dentro das atividades do Labirinto de investigações coletivas sobre imagem, imaginação, especulação, arte e (tecno)ciência. O conto 2320 Dormio é um exemplo desta pesquisa-produção. Realizada dia 06 de maio de 2021 durante nossos encontros virtuais, a oficina integrou um ciclo de leituras com o tema da “Informação”, onde costuramos James Gleick, Mauro Almeida, Gilbert Simondon e Gregory Bateson. Durante o resto do semestre, nos encontramos também com Donna Haraway, Isabelle Stengers, Marilyn Strathern, Paul Preciado e Audre Lorde. Durante a oficina, apresentei algumas ferramentas visuais-gráficas úteis para projetar uma determinada relação entre a imagem e os olhares que a encontram. Composição, unidade, harmonia, equilíbrio e contraste são conhecidos como elementos fundamentais do design. É lançando mão destes elementos – e os tensionando – que uma artista gráfica vai comunicar movimento, repouso, continuidade ou ruptura das expectativas. O exercício proposto foi o de criar coletivamente uma zine. Cada um de nós buscou em suas anotações que mais chamou atenção durante os estudos sobre informação e exercitou comunicar visualmente estes senti-pensares. Utilizo a zine como ferramenta pedagógica de pesquisa há muito tempo, junto com as crianças e adolescentes de escolas públicas das periferias de São Paulo com quem trabalhei. O processo de elaboração coletiva de expressões sobre as experiências vividas é um momento catártico de encontro consigo, já que envolve uma intensa negociação entre as memórias internalizadas e as possibilidades de externalizá-las. A escolha dos meios expressivos (palavras, formas, cores, etc.) leva em conta uma ponderação sobre a adequação daqueles com o que lembramos que vivemos, e ao mesmo tempo modulamos tais escolhas a partir das expectativas de como serão recebidas. Lado a lado, cada criação individual resultante desse embate consigo mesmo compõe um todo sensível cuja apreensão escapa da formalização racionalizante que impera nas escolas – e na universidade também. Não é estranho, portanto, que esse medo da interatividade se enraíze em nós, e em muitos casos nos paralise. Talvez a palavra escrita, e nosso ofício de escrevê-las, nos traga alguma ilusão de proteção contra o horror do mal entendido. E talvez o convite para experimentar a interatividade, esse olhar-para-si-e-para-o-resto que a criação artística provoca, seja também um convite para nos expormos de forma frontal ao desentendimento. Para mim, de nossos estudos o que mais assentou é a ideia de informação como surpresa, capaz de provocar uma mudança no estado anterior do sistema em questão. Durante a construção de nossa zine, pudemos experimentar essa estranha e desconcertante surpresa em perceber que o indizível pode produzir informação, e informar nada tem a ver com entender. Convidamos a todes para conhecer a zine “a informação”. Legenda da imagem: Ilustração que compõe a zine “A Informação”. Créditos: Carolina Carettin.
Início Menopausa Vazando menstruações dissidentes Saberes Ancestrais Contos e reimaginações Perspectivas atuais, educação e política menstrual Bagagens Sobre a revista Início Menopausa Vazando menstruações dissidentes Saberes Ancestrais Contos e reimaginações Perspectivas atuais, educação e política menstrual Bagagens Sobre a revista PERSPECTIVAS ATUAIS, EDUCAÇÃO E POLÍTICA MENSTRUAL Ménarchives Por Isabel Prado Tradução: meu corpo, minhas regras. Sou eu que dito as regras. Créditos: Isabel Prado. Tradução: a ginecologia ocidental moderna foi criada por homens e desenvolvida sobre os corpos de mulheres negras, escravizadas, indígenas, entre outros corpos considerados abjetos. Créditos: Isabel Prado. Essas duas fotos compõem o Fanzine “Ménarchives”, que criei em uma oficina junto com um coletivo na França, durante meu período de Doutorado Sanduíche, em novembro de 2024. A proposta da publicação surgiu de uma artista resistente do Festival Les Menstrueuses, que acontece anualmente desde 2019 na cidade de Poitiers. A artista questiona o tema da menstruação e propõe um olhar sensível sobre ela, convidando as participantes a criarem artisticamente a partir de histórias sobre menarca (a primeira menstruação), passando pela ficção e abordando questões de gênero, sexualidade, corpo, entre outros temas que tocam as participantes da oficina. O zine original completo compõe o acervo da Fanzinoteca de Poitiers/França. Festival Les Menstrueuses (https://lesmenstrueuses.org/) Fanzinothèque (https://www.fanzino.org/). Isabel Prado: Doutoranda em Saúde da Mulher e da Criança pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira / FIOCRUZ-RJ. Mestra em Saúde Coletiva. Especialista em Ciência, Arte e Cultura na Saúde. Enfermeira e Terapeuta. Revista SangroLabirinto, Labjor, UnicampJunho de 2025 ISBN 978-65-01-64193-5
Início Menopausa Vazando menstruações dissidentes Saberes Ancestrais Contos e reimaginações Perspectivas atuais, educação e política menstrual Bagagens Sobre a revista Início Menopausa Vazando menstruações dissidentes Saberes Ancestrais Contos e reimaginações Perspectivas atuais, educação e política menstrual Bagagens Sobre a revista PERSPECTIVAS ATUAIS, EDUCAÇÃO E POLÍTICA MENSTRUAL Ménarchives Por Isabel Prado Essas duas fotos compõem o Fanzine “Ménarchives”, que criei em uma oficina junto com um coletivo na França… Veja mais O que 172 mulheres brasileiras nos contaram sobre desejo, prazer e os desafios da sexualidade feminina Por Talita Azevedo Quando falamos de sexualidade feminina, ainda pisamos em um terreno delicado. Apesar de todos os avanços das últimas décadas… Veja mais Cortina Menstrual Por Letícia Santos Ferreira A cortina menstrual é um mecanismo de sensibilização que criei a partir da participação em oficinas de Educação Menstrual … Veja mais Menstruação In Vitro Por Fernanda Mariath In vitro é uma expressão em latim que significa “em vidro”, que é utilizada para se referir a experimentos realizados… Veja mais El chip en Argentina: anticonceptivos, autonomía y embarazo en la adolescencia Por Cecilia Rustoyburu Los implantes subdérmicos, conocidos como chip, son un método anticonceptivo de larga duración que presenta una eficacia del 99,5%… Veja mais Revista SangroLabirinto, Labjor, UnicampJunho de 2025 ISBN 978-65-01-64193-5
A vida tem seus mistérios, e talvez o corpo que sangra, que pulsa tesão e revolução, que pari, flui leite das tetas, emana cheiros e fluidos, bicho selvagem, que a norma quer coibir e o grito da profundeza oca não deixa encerrar. Talvez e só talvez, essas corpas sejam um dos grandes mistérios que a vida não sabe explicar e a ciência insiste em definir. A Revista é fruto da disciplina “Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia: Feminismos, Menstruações e Direitos Reprodutivos”, oferecida no primeiro semestre de 2025, para os cursos de pós-graduação em Ciências Sociais e Divulgação Cultural e Científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Revista Sangro é o transbordamento de encontros… confluindo produções textuais e artísticas de docentes e discentes da disciplina. Convidamos você a este mergulho! Vamos? SOBRE A REVISTA Revista Sangro A Revista é fruto da disciplina “Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia: Feminismos, Menstruações e Direitos Reprodutivos”, oferecida no primeiro semestre de 2025, para os cursos de pós-graduação em Ciências Sociais e Divulgação Cultural e Científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Um curso de internacionalização, em formato híbrido, oferecido pelas professoras Clarissa Reche, Daniela Manica, Janaina Morais, da Unicamp, e por Cecília Rustoyburu, da Universidad Nacional de Mar del Plata. Veja mais MENOPAUSA Menstruar e Desmenstruar: dois abismos sociais Por Katia Marchena A menstruação sempre foi uma incógnita masculina cercada pela curiosidade, pelo misticismo, pela iniciação, pelo erotismo… Veja mais Expectativa e Realidade da Menopausa Por Claudia Lima Serpentini e Heloisa Quintes Ducasble Gomes Bonatto A menopausa é frequentemente cercada por mitos e expectativas que podem gerar insegurança… Veja mais VAZANDO MENSTRUAÇÕES DISSIDENTES Cannabis: a planta que revoluciona a saúde e o bem estar da mulher Por Thais Castilho Pinto O uso da cannabis na ginecologia e na saúde sexual feminina vem ganhando cada vez mais espaço dentro da comunidade científica… Veja mais Menstruado, com O maiúsculo Por Za Chacon Me esgota, diariamente, a sobriedade de localizar a doença do mundo em um modo perverso de produzí-lo… Veja mais La sangre que incomoda: la menstruación y otros mundos posibles Por Melina Antoniucci Cuando en junio de 2020 J.K. Rowling reaccionó en twitter a un artículo que contenía la expresión “personas que menstrúan”, desató la polémica… Veja mais SABERES ANCESTRAIS A menstruação como criação e cuidado Por Ana Manoela Primo dos Santos Soares Este ensaio apresenta uma breve reflexão sobre os modos de menstruar entre as mulheres indígenas do povo Karipuna… Veja mais Com partilha de conhecimento e atenção às necessidades da comunidade, resistem as herdeiras e guardiãs de saberes tradicionais Por Beatriz Ortiz De Tocantins a Goiás, mulheres do Cerrado enfrentam a descredibilização, a marginalização política e a degradação do ambiente… Veja mais O que é o Jarê e como esta religião lida com a menstruação em seus terreiros? Por Andressa Santos Apesar de frequentar o interior da Bahia desde criança, conheci o jarê depois de adulta, quando decidi retornar às minhas origens… Veja mais Entrevista: Dona Dé e os mistérios do Sangue e do Barro Por Verena Barros Hauschild Uma conversa com Valdete da Silva, mulher indigena, Mestra do barro, Louceira e anciã Kariri-Xocó… Veja mais CONTOS E REIMAGINAÇÕES Sangue, entre ficção e realidade Por Anna Clara Cypreste O sangue na arte perpassa por um longo contexto desde de sua representação até seu uso como material artístico… Veja mais O sangue de Íris Por Fernanda Menezes Em um reino antigo, onde por séculos reinava a harmonia e a paz com a ajuda de uma entidade antiga chamada Íris… Veja mais Luneta Por Gabriela Paletta Veja mais Os modos de Raurtsnem: um ritual Sonacirema Sonital Por Laura Nice Dias da Silva O objetivo deste ensaio é contribuir com os estudos culturais sobre um grupo de pessoas localizadas… Veja mais Normas de gênero e florzinhas lilases Por Larissa Pelúcio De sexta para sábado dormíamos na casa de nossa avó. Um quarto com duas camas bem simétricas… Veja mais PERSPECTIVAS ATUAIS, EDUCAÇÃO E POLÍTICA MENSTRUAL Ménarchives Por Isabel Prado Essas duas fotos compõem o Fanzine “Ménarchives”, que criei em uma oficina junto com um coletivo na França… Veja mais O que 172 mulheres brasileiras nos contaram sobre desejo, prazer e os desafios da sexualidade feminina Por Talita Azevedo Quando falamos de sexualidade feminina, ainda pisamos em um terreno delicado. Apesar de todos os avanços das últimas décadas… Veja mais Cortina Menstrual Por Letícia Santos Ferreira A cortina menstrual é um mecanismo de sensibilização que criei a partir da participação em oficinas de Educação Menstrual … Veja mais Menstruação In Vitro Por Fernanda Mariath In vitro é uma expressão em latim que significa “em vidro”, que é utilizada para se referir a experimentos realizados… Veja mais El chip en Argentina: anticonceptivos, autonomía y embarazo en la adolescencia Por Cecilia Rustoyburu Los implantes subdérmicos, conocidos como chip, son un método anticonceptivo de larga duración que presenta una eficacia del 99,5%… Veja mais BAGAGENS Glossário da Revista Sangro Por Poliana Martins O presente glossário nasce da disciplina “Estudos Sociais da Ciência e Tecnologias: Feminismos, Menstruações e Direitos Reprodutivos”… Veja mais Sangrar imagens: ensaios gráficos sobre menstruação Por Laura Lino O que é um corpo que menstrua? Onde começa e onde termina um útero? Como imaginar fluxos que foram por tanto tempo silenciados… Veja mais Quizz: o que você sabe sobre menstruação? Por Laura Nice e Marcelo Rodrigues Diversas são as percepções daquilo que, em nossa cultura, convencionou-se chamar de menstruação. Neste quiz, a Revista Sangro testa seus conhecimento… Veja mais A bravura de quem tem um coração forte! Por Janaina Morais Dentro de mim habitam muitos mundos… Veja mais Colapso Por Clarissa Reche Corri para o banheiro. Descobrei o paninho. Um lenço de homem que nem meu vô usava… Veja mais Revista SangroLabirinto, Labjor, UnicampJunho de 2025 ISBN 978-65-01-64193-5
O Boletim de Notícias – Acontecendo no Labirinto lança sua oitava edição! Ele tem por objetivo compilar e compartilhar as atividades coletivas e individuais das e dos integrantes do Laboratório de Estudos Socioantropológicos sobre Tecnologias da Vida – Labirinto, que está conectado ao Labjor (Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo), no Nudecri/Unicamp (Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade/Universidade Estadual de Campinas). Reuniões do Labirinto Desde sua origem em 2019, o Labirinto realiza reuniões frequentes entre os seus integrantes. Desde a última edição do boletim, as/os participantes do Labirinto se reuniram mensalmente entre os meses de setembro e novembro. No encontro de setembro foi discutido o texto da pesquisa de dissertação “Meu corpo é um campo de batalhas: mulheres jovens e sem filhos em busca de um método contraceptivo irreversível” da pesquisadora i.Miranda Benez Cefali. Em outubro foram discutidos três textos. O primeiro foi proposto pela pesquisadora Bárbara Fernandes, fruto da pesquisa de mestrado “Como o teatro pode articular a relação entre gênero e ciência: um estudo da peça Hysteria”. Na sequência discutimos o relatório final PIBIC (Edital 2023-2024) “Corpos que menstruam: homens trans e pessoas não-binárias na umbanda de Omoloko Aldeia Pena Azul” em conjunto com o projeto de pesquisa PIBIC (Edital 2024-2025) “Corpos que menstruam no terreiro: homens trans e pessoas não-binárias em uma casa de umbanda de Omoloko: Aldeia Pena Azul”, ambos de autoria de Michelle Perez dos Santos. Em novembro foram discutidos mais três textos. Janaína Morais apresentou seu projeto de pós-doutorado intitulado “Educação menstrual nas escolas: impactos e desafios na promoção da dignidade menstrual” e também o relato de experiência “Menstruação sem Tabu: uma experiência sobre oficinas de educação menstrual em escolas e instituições públicas”. O último texto discutido foi preparado pela mestranda Fernanda Mariath, discutindo o momento pré-qualificação da pesquisa “Expressões das diferenças entre os sexos em células-tronco: perspectivas feministas sobre o gênero na ciência”. 48° Encontro Nacional da ANPOCS O 48º Encontro Anual da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais) aconteceu entre 16 e 18 de outubro de modo virtual e entre 23 e 25 de outubro de modo presencial no campus da UNICAMP, Campinas – SP. O projeto de extensão “Menstruação e Antropologia: Multiplicando possibilidades para alcançar dignidade”, parte do Programa “Olhos no Futuro” da Unicamp, recebeu menção honrosa no Prêmio ANPOCS de Extensão Universitária 2024, destacando-se entre iniciativas de diversas instituições de ensino superior no país. Coordenado pela pesquisadora e professora Dra. Daniela Manica, o projeto tem como objetivo ampliar o debate sobre menstruação nas escolas a partir de uma abordagem interdisciplinar, que também seja sensível às questões socioeconômicas e culturais que permeiam a menstruação. A iniciativa envolve a participação de Danusia Arantes, Janaina Morais, Clarissa Reche, Naedja Vieira, Gabriela Paletta, Barbara Valadão da Cruz, Michelle Perez dos Santos, Kaynara Tawka, Luna Beatriz de Oliveira, Thais Bezerra Novais e Rayssa Baptista Parro. Nesta notícia publicada no site do Labjor você encontra mais informações sobre o projeto e a premiação. Daniela Manica esteve presente na mesa redonda “É possível fazer uma ciência feminista no Brasil do século XXI?” Com Soraya Fleischer (UnB), Carolina Cantarino Rodrigues (Unicamp), Elaine Reis Brandão (IESC-UFRJ/PPGAS-UnB), e Indianara Silva (UEFS). Neste post você encontra mais informações sobre a mesa! Miranda Benez apresentou trabalho em dois Simpósios de Pesquisas Pós-Graduadas (SPGs). No SPG. 30 – Políticas antigênero, antifeminismos e masculinismos em contexto de extrema-direita, Miranda apresentou o trabalho “A extrema-direita na Argentina: ofensivas antifeministas de Milei e Villarruel aos direitos reprodutivos das mulheres e pessoas que gestam”. No SPG. 39 – Sexualidade e Gênero: políticas, direitos e sujeitos, foi apresentado o texto “Questões sobre a laqueadura em mulheres jovens e sem filhos: casos, controvérsias e novas possibilidades de pesquisa”. EDICC 11 Ainda no mês de outubro aconteceu o 11° Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (EDICC), entre os dias 22 e 25. Com o tema Decolonizar para viver: cultura e ciência em perspectiva, o encontro foi composto por mesas redondas, palestras, exposições de artes visuais e curtas, além de sessões de comunicação oral nos formatos presencial e virtual, que debateram temas como mudanças climáticas e gênero, corporalidades gordas, epistemologias decoloniais e memória e resistência. O Encontro reuniu cerca de 120 participantes de diversas áreas do conhecimento. O evento teve como organizadora geral Irene do Planalto Chemin, integrante do Labirinto. Daniela Manica participou da implementação da Política de Boas Práticas de Convivência no EDICC, com o apoio de uma cartilha e uma coletiva que acompanhou o evento todo, da qual Daniela fez parte. Fernanda Mariath apresentou os resultados parciais da sua pesquisa de mestrado, que envolve a produção da série de podcast Feminista In vitro, em formato Comunicação Oral e também exibiu o trailer da futura série na mostra artística. Clarissa Reche participou da apresentação da Comunicação Oral “Podcast como estratégia de pesquisa coletiva na série “De lua em lua”, um podcast sobre antropologia e menstruação produzido junto com pesquisadoras adolescentes.” Ela também esteve presente com a exibição do Trailer de lançamento da série De Lua em Lua na mostra artística. Irene do Planalto Chemin apresentou os resultados iniciais da pesquisa “Acessos e usos da Internet por adolescentes: produzindo um podcast sobre Educação Digital” na Sessão de Comunicação 2 – Podcast, no 11º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura. Fernando Camargo foi debatedor na Sessão de Comunicação Oral 5: Divulgação e Cultura. Jornadas de Antropologia John Monteiro 2024 Tradicionalmente organizada pelo corpo discente do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da UNICAMP, as Jornadas de Antropologia John Monteiro foram realizadas entre os dias 11 e 13 de novembro, contemplando atividades presenciais e online. Kris Herik de Oliveira coordenou o GT 24 – Protocolos de sobrevivência em contextos (extra)ordinários. Coordenação: Kris Herik de Oliveira (Unicamp); Jonatan Jackson Sacramento (UFES). Modalidade: remoto Humberto Santana Jr. esteve presente na mesa de abertura com Iyá Adriana de Nanã. Coordenou também o GT 16 – Saberes na encruzilhada: resistências, modos de sobrevivência e novas perspectivas na construção de mundos habitáveis. Coordenação: Humberto Santana Jr (CEFET/RJ;
No ano passado, a professora Daniela Manica recebeu um e-mail que nos interessou muito. Uma jornalista de ciência queria entrevistá-la sobre seu artigo publicado sobre as células mesenquimais do sangue menstrual. A conclusão principal deste estudo é que essas células são ótimas para se trabalhar, mas praticamente não são investigadas por serem originadas do sangue menstrual, um tecido que é marcado por questões de gênero. Para mim, esse convite foi especialmente instigante, afinal, meu projeto de mestrado é um desdobramento dessa pesquisa e foi uma ótima oportunidade para ler as respostas da minha orientadora sobre as suas intenções e opiniões dos resultados encontrados. O convite veio da jornalista de ciência Sneha Khedar, bióloga, mestra em Bioquímica, freelancer de há alguns anos e da Índia. Ela cobriu várias histórias no campo da biologia, saúde e medicina, você pode conhecer mais do trabalho dela nesse site. Nas primeiras trocas de e-mail, ela nos contou que foi diagnosticada com endometriose em 2021, depois de passar 14 anos sofrendo com os sintomas. Como bióloga, ela foi atrás de ler diversas pesquisas sobre endometriose até que esbarrou em uma que utiliza as células mesenquimais do sangue menstrual para diagnosticar e como terapia para desordens reprodutivas em corpos com útero. Nessa busca, encontrou o artigo publicado pela professora Daniela, o que proporcionou o contato. O resultado dessa entrevista, e de várias outras que Sneha realizou, foi o texto “The untapped potential of stem cells in menstrual blood” publicado na Knowable Magazine. Nele, Sneha apresenta as células mesenquimais do sangue menstrual, desde a sua descoberta até pesquisas atuais sobre potenciais aplicações. Ela conclui que com mudanças no financiamento científico, a menstruação pode ser reconhecida como uma nova fronteira excitante na medicina regenerativa e não apenas um inconveniente de todo mês. O que é muito similar ao motivo da professora Daniela iniciar a pesquisa com essas células, que observou no engajamento delas na pesquisa um uso específico do sangue menstrual e totalmente diferente do enquadramento desse tecido como um descarte. Na entrevista, Daniela disse que sua motivação foi principalmente feminista, com intenção de procurar alianças entre mulheres na universidade e propor transformações nas percepções sobre o corpo feminino e seu potencial. Ancoradas no fortalecimento de alianças feministas no Sul Global e também devido ao alinhamento de interesses e a sua experiência com jornalismo científico e menstruação, convidamos Sneha para uma rodada de perguntas e respostas com o Labirinto, o grupo de pesquisa coordenado pela professora Daniela. Essa palestra foi gravada, legendada e já se encontra disponível no nosso canal do Youtube! Vem conhecer um pouco mais sobre o trabalho interessante da Sneha Khedar e se encantar ainda mais pelas células mesenquimais do sangue menstrual. Você também pode conferir todas as edições do Encontros no Labirinto clicando aqui!
Livro Modos de fazer e contar no labirinto: metodologias in(ter)disciplinares, feministas e criativas Este livro se estrutura como uma espécie de labirinto metodológico, no qual cada capítulo propõe um percurso singular de investigação, fazendo do método não apenas um instrumento, mas parte essencial do próprio processo de conhecimento. Esperamos que o caleidoscópio de pesquisas e estratégias encontradas por cada pesquisador(a) indique caminhos possíveis para pesquisas em andamento ou para projetos a serem ainda imaginados e construídos. Mas, para além disso, os textos trazem também processos e resultados de pesquisas com temáticas diversas e bastante interessantes e contemporâneas. Organizamos a coletânea em três partes, cada uma trazendo abordagens específicas e distintas sobre o fazer científico e suas potencialidades experimentais: Ecologias, corporalidades e tecnologias da vida; Comunicação e audiovisual; e Escrita Criativa. Organização: Daniela Tonelli Manica, Clarissa Reche Nunes da Costa, Fernando Monteiro Camargo Artigos Hélio Oiticica e a magia do labirinto Por Kris Herik de Oliveira Infraestruturas autônomas feministas Por Sophie Toupin e Alexandra Hache Tradução de Daniela Araújo, Daniela Manica e Marta Kanashiro Carta para Karl Marx sobre o Capitalismo Virótico Por Adriana Silvestrini Fast science, silenciamento e a mudança do clima Por Oscar Xavier de Freitas Neto Invertidas & Safistas: Visão da ciência sobre a homossexualidade feminina no século XIX e XX Por Bárbara Fernandes Silva Conto 2320 – Dormio Relato Contextualizando o reconhecimento da minha vivência de racismo na moradia estudantil Por Michelle Perez dos Santos Reportagem Uma história social da pílula no Brasil Por Camila Pissolito Zine A Informação






