Vamos embarcar em uma viagem feminista pela célula?

Podcast Mundaréu lança a série Feminista In Vitro sobre células, sexo e gênero!

Uma parte importante da pesquisa biomédica e, consequentemente, da produção de tecnologias em saúde, como medicamentos e vacinas, é a investigação com células. Em uma sala de cultura, um espaço dedicado ao cultivo de células em um laboratório, células são cultivadas em placas de vidro, os chamados modelos in vitro. E a partir de experimentos com esses modelos, cientistas investigam sobre o funcionamento do nosso corpo e de doenças. No sangue menstrual, é possível obter células com qualidades muito interessantes para serem utilizadas como modelo experimental no laboratório. Mas, essas células não são exatamente bem-vindas na sala de cultura.

Em uma pesquisa interdisciplinar, a antropóloga Daniela Manica e colaboradoras observaram que publicações que utilizam essas células do sangue menstrual representam apenas 0,25% dos artigos da área. As pesquisadoras concluem que não existe nenhuma explicação técnico-científica que sustente essa baixa utilização. Elas argumentam que a razão correlacionada é o fato do sangue menstrual ser marcado por questões sociais e por um viés de gênero.

Mesmo existindo diversos corpos que menstruam e mulheres que não menstruam, essas células são entendidas como femininas e, por isso, são descartadas como um modelo possível. Só que, ao mesmo tempo, a pesquisa biomédica tem uma preferência histórica por modelos masculinos. Cientistas justificam que é possível extrapolar dados obtidos em modelos masculinos para todos os nossos corpos diversos. Se o sexo de uma célula dita masculina não é uma barreira, qual é então o problema de se escolher uma célula marcada como feminina? O sexo do modelo faz diferença? 

Essa foi uma das perguntas principais da dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Unicamp), realizada por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica. Para responder essa pergunta, foi preciso contaminar a sala de cultura (uma contaminação feminista!) e embarcar em uma viagem pela célula. Ao visitar as partes celulares, elas nos contam sobre as células do sangue menstrual e trazem discussões feministas sobre a pesquisa biomédica com células-tronco. É possível embarcar junto nessa viagem pela célula ao escutar a série Feminista In Vitro.

Essa série de podcast é resultado da dissertação de mestrado e é um desdobramento do projeto de pesquisa anterior que Daniela Manica foi investigadora principal. Também é parte de um projeto de jornalismo científico, com financiamento da FAPESP e supervisão da professora Daniela Manica (Unicamp) e da professora Germana Barata (Unicamp). A série Feminista In Vitro, lançada dia 18 de fevereiro no Podcast Mundaréu, traz um episódio por semana até abril! Você já pode escutar o teaser e embarcar nessa viagem feminista pela célula! 

Legenda da imagem: Logo da série Feminista In Vitro por Bianca Bursi, no fundo, fotografias do processo de criação da viagem pela célula, elaborado por Fernanda Mariath, 2026. 

Crédito da imagem: Identidade visual por Bianca Bursi (@bursibi)