Pesquisas

• Em andamento

Dispositivos experimentais para a cura do HIV: agentes, agenciamentos e devires.

KRIS HERIK DE OLIVEIRA – Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. Financiamento: FAPESP.

► Ver resumo

A cura do HIV é um tema que tem se mostrado atravessado por múltiplos agentes, conhecimentos, práticas, instituições, discursos, imagens, imaginários e afetos. Desde a emergência da epidemia de HIV/aids, no início da década de 1980, ela foi efetivamente alcançada em apenas dois casos, nos pacientes de Berlim e Londres, após procedimentos experimentais envolvendo transplantes de células tronco. Mais recentemente, a administração de uma vacina terapêutica, em São Paulo, promoveu a remissão de longo prazo do vírus em um paciente, apontando para uma possibilidade de cura sem intervenção cirúrgica. Por meio de uma abordagem socioantropológica, o objetivo geral do presente projeto de pesquisa é cartografar as configurações e desdobramentos desses três dispositivos experimentais. Nesse recorte, interessa: i) mapear os agentes e agenciamentos que se emaranham às terapias; ii) promover relações entre os casos para pensar as materialidades, escalas, transformações ontológicas do corpo, e processos de doença e cura; iii) refletir sobre devires e especulações de um futuro sem epidemia de HIV/aids. Para tanto, a pesquisa se vale do levantamento e análise de documentos científicos, jornalísticos e autobiográficos, bem como de entrevistas com especialistas. E, por meio de um procedimento de montagem com os materiais, busca experimentar em diferentes grafias composições que ajudem a pensar categorias e modos de expressão. Espera-se que a pesquisa possa contribuir criticamente e criativamente com a discussão sobre a cura do HIV e, de maneira mais ampla, ofereça subsídios teórico-metodológicos para investigações voltadas a outros dispositivos terapêuticos.

Imprensa feminista na internet: um estudo dos sites AzMina e Lado M.

CAROLINA BUSOLIN CARETTIN – Mestranda no programa Divulgação Científica e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas.

► Ver resumo

As mudanças tecnológicas têm a capacidade de promover alterações em esferas da sociedade, ao mesmo tempo em que são moldadas por ela, inclusive nos movimentos sociais e imprensa. O feminismo, nos últimos anos, utilizou e ajudou a construir tais tecnologias para se organizar nas redes sociais e também no espaço físico. Apoiando-se nos conceitos de objetividade feminista de Haraway (2009) e feminist standpoint de Collins (1997), O objetivo da pesquisa é analisar o perfil de quem produz conteúdo jornalístico feminista na internet e quais os principais temas abordados, tomando como objetos de estudo os sites Lado M e AzMina, dois veículos criados nos anos 2010 e que têm um alcance diverso e amplo. Os métodos utilizados serão a análise de conteúdo – quantitativa e qualitativa – e entrevistas individuais. A coleta de dados será feita nos próprios sites e a partir de questionário aplicado às autoras. A partir da análise, os textos publicados entre julho e dezembro de 2018 nas duas plataformas serão classificados de acordo com suas temáticas e serão consideradas a raça, idade, escolaridade, área de formação e de atuação profissional, identidade de gênero, orientação sexual, relação com o site para o qual escreve e local em que vivem as autoras dos textos.

Inteligência Artificial no DSPCom: Uma etnografia do processo de desenvolvimento e potencialidades dos métodos.

MATEUS VICENTE – Graduando em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.Financiamento: FAPESP.

► Ver resumo

Essa pesquisa de iniciação científica é continuidade da pesquisa etnográfica: A lógica tecnocientífica e a produção de inteligência artificial na Unicamp: Agentes e processos. O objetivo é acompanhar o processo de construção, desenvolvimento e produção da inteligência artificial a partir de dois projetos de pesquisa de mestrado e doutorado selecionados por mim, do Laboratório de Processamento Digital de Sinais para Comunicações (DSPCom), da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp.
A etnografia tem como intuito adentrar no universo codificado e técnico da inteligência artificial desses projetos, a fim de acompanhar como seus métodos são mobilizados e o que informam – as influências na definição de problemas, o esboço, a criação de soluções e suas potencialidades metodológicas exploradas. Além disso, busco observar com mais afinco relações de analogia e potencialidades entre o cérebro e a máquina, as relações entre produções tidas como “puramente acadêmicas” e as voltadas especificamente para o “mercado”, como definidas em campo na primeira fase do trabalho.

Maternidades Ciborgues, Inseminação Caseira e Tecno-experiências Lésbicas/Sapatonas nas Redes Sociais.

FLORA VILLAS CARVALHO – Mestrande no programa Divulgação Científica e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas.

► Ver resumo

As novas tecnologias reprodutivas têm tido papel essencial no processo de transformação das gestações e maternidades de lésbicas/sapatonas no Brasil, especialmente nas últimas duas décadas, e inserido uma série de novos atores e processos sociotécnicos nestes processos de concepção e maternares. Um destes processos em ascensão no país é o de inseminação caseira que inaugura por um lado um conjunto de possibilidades e resistências – principalmente para lésbicas/sapatonas pobres – e, por outro, uma grande diversidade de problemáticas sociopolíticas, especialmente no âmbito jurídico e de reconhecimento e legitimação social destas maternidades. À este fenômeno, junta-se também o papel marcante que as redes sociais e seus múltiplos agentes e tecnologias vêm exercendo na reconfiguração e formação destas maternidades, o que se reforça ao focarmos a análise nas inseminações caseiras, que têm boa parte de suas práticas mediadas por grupos no Facebook. O objetivo desta pesquisa, portanto, é de investigar as redes ciborgues e sociotécnicas que compõem este cenário na atualidade, por meio de um acompanhamento e análise de três destes grupos, de maneira a buscar compreender quais papéis as tecnologias digitais e médicas vêm cumprindo no que tange às maternidades de lésbicas/sapatonas no Brasil.

Presidentas latino-americanas Cristina Kirchner, Dilma Rousseff, Laura Chinchilla e Michelle Bachelet: gênero e política nas capas de jornais.

ADRIANA SILVESTRINI – Mestranda no programa Divulgação Científica e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. Financiamento: Capes.

► Ver resumo

O objetivo desta pesquisa é investigar e analisar as notícias nas capas de jornais referentes as presidentas latino-americanas Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil), Laura Chinchilla (Costa Rica) e Michelle Bachelet (Chile). A proposta é apresentar uma análise quantitativa do número de capas nas quais as presidentas são noticiadas e uma outra qualitativa das chamadas jornalísticas. Nas capas dos periódicos são investigados e examinados textos e imagens com foco nas relações entre gênero e política. Com base no material selecionado, a pesquisa pretende problematizar e questionar de que modo essas quatro mulheres foram expostas, principalmente quando elas ocupam cargos eletivos de chefes de Estado. As capas impressas dos jornais diários Clarín (Argentina), Folha de São Paulo (Brasil), El Mercurio (Chile) e La Nación (Costa Rica) compõem o corpus desta pesquisa. Diante do vasto material para estudo, esse trabalho apresenta o seguinte recorte de investigação: as capas dos periódicos dos quatro países durante os meses de março, abril e maio do ano de 2014, quando as quatro mulheres atuaram simultaneamente como governantes em seus respectivos países. Também as capas da cobertura jornalística do dia de posse de cada uma delas. Ao todo são 173 capas.

Tecnopolíticas Corporais: Análise das narrativas sobre células mesenquimais e terapia celular.

BRUNNO SOUZA TOLEDO PEREIRA – Graduando em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.Financiamento: FAPESP.

► Ver resumo

No ano de 2019 e 2020, através do meu projeto de iniciação científica no PIBIC-SAE “Divulgação científica e terapia celular: um enfoque sobre as narrativas sobre células mesenquimais e sangue menstrual”, pesquisei sobre a divulgação científica das pesquisas com terapia celular e sobre o uso do sangue menstrual em pesquisas científicas e em procedimentos biomédicos como a terapia celular. A partir desse trabalho, elaborei um banco de dados em que organizei, de forma detalhada, as pesquisas sobre divulgação científica com terapia celular disponíveis nas plataformas Banco de teses e dissertações – CAPES; Scielo; Revista Fapesp; Revista Faperj; Minas Faz Ciência. O banco de dados construído nessa investigação consiste no agrupamento de pesquisas acadêmicas, artigos e reportagens relacionadas à divulgação científica sobre terapia celular e sobre as células tronco do sangue menstrual. Nele estão separados os arquivos, em formato PDF, juntamente com uma planilha que funciona como catálogo das pesquisas selecionadas. Nesse catálogo, os artigos, reportagens e pesquisas científicas estão organizadas por seus títulos, pelo nome dos pesquisadores, pela data de publicação e pelas instituições a que estão vinculadas. A investigação proposta neste projeto pretende, a partir desse material já levantado e organizado, e a partir dos estudos e publicações originadas pela pesquisa acima citada, continuar contribuindo para os estudos antropológicos associados à Comunicação, Divulgação Científica e Tecnológica, analisando em parte esse material. Dessa forma, pretendo também contribuir para a pesquisa em andamento “Corpo, gênero e tecnociências: as ‘células-tronco’ do sangue menstrual”, coordenada por Daniela Manica.

Terra de bruxa: Encontros antropológicos entre feminismo e ecologia.

MARINA BOHNENBERGER – Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.

► Ver resumo

Desenvolvo uma investigação teórica e bibliográfica em torno dos possíveis encontros, conexões e alianças entre feminismo e ecologia. Parto da proposta de reler as ecofeministas, grupo de teóricas e ativistas que buscam associar as formas de dominação das mulheres com as formas de degradação da natureza, cujas propostas geraram controvérsias diante de outras vertentes do feminismo, especialmente pela associação simbólica que fazem entre feminino e natureza. A pertinência dessa releitura é a necessidade de insistir no debate sobre o par natureza-cultura dentro dos feminismos, debate que perpassa não apenas a questão ambiental, mas todo esquema de mundo capitalista. Paralelamente, novos estudos a respeito da relação entre humanos, ambientes e outras formas de vida têm destacado que as relações interespecíficas e com os ambientes antecedem os organismos solitários, apostando na ideia de vida como uma rede de emaranhados e co-dependências que põem em xeque a separação entre mundo natural e mundo humano. Esses estudos, engajados com proposições políticas, centralizam uma crítica às formas modernas de concepção das relações com “a natureza” baseadas na excepcionalidade humana, e revelam a profunda relação que há entre a degradação planetária e as formas de exploração e dominação neocoloniais e capitalistas. Retomar as ecofeministas (às quais se somam novas expressões de feminismos da terra e decoloniais) e explorar as alianças entre suas teorias e os avanços dos estudos ambientais e ecológicos é o objetivo que persigo, compondo a urgência de politizar a relação entre modos de conceituação e modos de existência em prol de formas mais justas de habitar a Terra.

Vazando: o (que) fazer da menstruação. Uma procura pelo corpo na produção de conhecimento antropológico.

CLARISSA RECHE NUNES DA COSTA – Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. Financiamento: CNPq.

► Ver resumo

O corpo tem um lugar privilegiado nas preocupações antropológicas desde a consolidação desta disciplina como ciência e do estabelecimento da etnografia, seu método de pesquisa por excelência. O tema deste projeto de pesquisa é a presença do corpo de quem pesquisa na produção do conhecimento científico antropológico a partir da análise etnográfica de trajetórias profissionais, focando em experiências menstruais ocorridas durante trabalhos de campo etnográfico em pesquisas etnológicas. Pretendo escavar os sussurros, murmúrios, meias palavras e silêncios que são tão comuns em nosso aprendizado sobre como deve ser a experiência da menstruação, e transformar as conversas de corredores, causos e histórias que mal passam entre os dentes em material de pesquisa. A potência deste movimento está em fazer pensar sobre práticas científicas de produção de conhecimento a partir um caráter interdisciplinar e de uma crítica feminista, afim de construirmos protótipos de objetividades e produtividades que nos interessem. Para tanto, realizarei uma etnografia junto à antropólogas que será composta pela leitura e análise das etnografias produzidas por aquelas, narrativas biográficas sobre as experiências (entrevistas), experimentações com diários de campo e diferentes expressões das trajetórias profissionais, buscando responder à questão: se e como a experiência de menstruar em um contexto de encontro etnográfico é expressa no modo como se produz conhecimento antropológico?

Vida, escrita e transbordamentos: biografias e etnografia do Rio Piracicaba.

FERNANDO MONTEIRO CAMARGO – Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. Financiamento: CNPq.

► Ver resumo

O que orienta esta pesquisa é a possibilidade de ampliar as associações que dizem respeito ao humano. Dessa forma, o percurso do Rio Piracicaba surge como ?rio condutor? de relações de mundos que se encontram, disputam e compõem sua biografia. Os encontros são com ?seres vivos?, ?seres sobrenaturais?, substâncias, elementos topográficos, atividades econômicas, produções científicas, projetos de desenvolvimento do estado e de particulares e os desdobramentos na arte, religião e lazer. A relação dessa etnografia, portanto, é com o transbordamento da vida do rio Piracicaba nos múltiplos mundos que tecem sua biografia. Diante disso, poderia o rio Piracicaba, escutar-me durante minhas caminhadas em suas margens? Poderia ele ouvir minhas conversas sobre as vidas e encontros que tecem a textura de seu próprio mundo? Saberia ele de minhas motivações e de meus interesses sobre sua vida? E, se ele me escuta, será que teria escutado também as disputas travadas entre os bandeirantes e os índios payaguas sobre seu leito? Ouviria ele os sussurros e segredos dos pescadores em suas margens ou ainda as promessas dos devotos do Divino Espírito Santo? E se ele nos escuta, como interfere, dialoga, responde ou reivindica esses múltiplos mundos? Resistiria ele à instalação de barragens em seu leito que tentam controlar a dinâmica de suas águas? Escutando ou não, falando ou não, a questão é que ele atua participando da composição de um mundo a partir dos encontros entre outros mundos diferentes. Que histórias o rio Piracicaba poderia nos contar? Como fazer vazar as existências para as resistências do rio Piracicaba?

 

• Concluídas

Um novo capítulo para velhos problemas: o compartilhamento online de experiências e o uso da pílula anticoncepcional.

CAMILA PISSOLITO – Mestra no programa Divulgação Científica e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas.
Confira a dissertação completa aqui.

► Ver resumo

A pesquisa propõe discutir como a percepção dos efeitos colaterais dos hormônios contraceptivos no corpo das mulheres, auxiliada pelas ferramentas de comunicação digital, tem impulsionado a discussão em torno da pílula. Partindo do engajamento de pessoas que relatam os efeitos colaterais causados pelo fármaco, encontradas através da página de Facebook “Vítimas de Anticoncepcionais. Unidas a Favor da Vida”, procuro situar suas motivações e propósitos, da perspectiva dos estudos sociais e feministas da ciência e da tecnologia. Pretendo analisar se e como as redes sociais digitais influenciam na decisão do método contraceptivo, colocando em questão o jogo hierárquico entre médico e paciente.